terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Sergio Bianchi


Nem todo mundo ouviu falar desse cineasta paranaense radicado em São Paulo desde a década de 70, mas quem já assistiu a algum de seus filmes sabe "é um grande provocador" e faz um cinema do jeito que eu gosto, o tipo do filme que te faz sair do cinema e parar com os amigos e ficar horas discutindo as idéias por ele apresentadas ali. Idéias essas que rendem muito mais do que um simples papo de butequim. Em seu filme "Quanto Vale ou é Por Quilo?" , faz aquela que ao meu modesto ver foi a crítica mais severa ao dito terceiro setor, e ele ataca ou melhor nos faz pensar o quão estamos realmente preocupados com nosso semelhante, e até nisso ele é feliz pois nos faz indagar-mos quem é semelhante de quem???
Narrado simultaneamente em dois tempos mostra que o processo de escravidão continua até hoje e ainda traça paralelos entre coisas ocorridas na época da escravidão e que continuam a acontecer até hoje, mas que muitas das vezes nem percebemos ou estamos preocupados demais com coisas banais e futeis de nossa vidinha mediocre, para dar-mos conta de tudo isso a nossa volta,e é bem ai que eu ressalto a importancia de Pessoas como Sergio Bianchi, que nos faz para pelo menos por um momento e repensar qual o nosso papel na contrução de um mundo melhor. Um dos temas centrais do filme é a miséria como mais um négocio a ser explorado. Bianchi mostra ainda que aqueles que sofrem as agruras de uma situação que não pode mudar como é o caso da personagem central que trabalha na ONG dirigida pelos atores Caco Ciocler e Herson Capri (me perdoem mas agora não recordo quais os nomes dos respectivos atores no filme) , que na medida que sofre pois não pode reverter essa situação deseja que o outro sofra também, pois vale a máxima de que se duas pessoas não tem possibilidade de ficarem bem é necessário que ambas passem pelo mesmo sofrimento, ou seja que nunca uma fique em melhor situação que a outra ainda mais reconhecendo que essa "outra" tem ferramentas para se não mudar o quadro que pelo menos não use da desgraça alheia para se favorecer e enriquecer por conta da indústria da míseria que se estabeleceu e ganha força a cada dia.
Algo que não deve ser deixado de lado no filme é a herança que estamos carregando desde os tempos da escravidão, e que persiste em nos acompanhar feito um encosto.
Em dados momentos depresivo e desesperador é um grande filme que nos abre os olhos para uma sociedade hipócrita cheia de falsos Messias.




3 comentários:

Anônimo disse...

Em breve mais sobre Sérgio Bianchi e seu filme anterior "Crônicamente Inviável"

Thiago Dias disse...

Realmente um filme incrivel, ao qual tive acesso pelo sábio dono deste blog. Cheio de provocações, faz vc se perder entre o que pode ser definido como passado e presente devido as comparações tão bemfeitas que realiza neste filme. Um ótimo filme, indico a todos.

Andrezito! ta ai o coment q te prometi. faça o mesmo la no blog q eu acabei de criar, e se vc for rápido, talvez eu te mande uma piada!
segue o link: diasviajando.blogspot.com

Thiago Dias disse...

Mais um coment!...
Só pra esclarecer... comentei neste post porque o mais recente trata de um assunto muito desegradável na minha humilde visão.