Boicote você também...

Nem todo mundo ouviu falar desse cineasta paranaense radicado em São Paulo desde a década de 70, mas quem já assistiu a algum de seus filmes sabe "é um grande provocador" e faz um cinema do jeito que eu gosto, o tipo do filme que te faz sair do cinema e parar com os amigos e ficar horas discutindo as idéias por ele apresentadas ali. Idéias essas que rendem muito mais do que um simples papo de butequim. Em seu filme "Quanto Vale ou é Por Quilo?" , faz aquela que ao meu modesto ver foi a crítica mais severa ao dito terceiro setor, e ele ataca ou melhor nos faz pensar o quão estamos realmente preocupados com nosso semelhante, e até nisso ele é feliz pois nos faz indagar-mos quem é semelhante de quem???
Narrado simultaneamente em dois tempos mostra que o processo de escravidão continua até hoje e ainda traça paralelos entre coisas ocorridas na época da escravidão e que continuam a acontecer até hoje, mas que muitas das vezes nem percebemos ou estamos preocupados demais com coisas banais e futeis de nossa vidinha mediocre, para dar-mos conta de tudo isso a nossa volta,e é bem ai que eu ressalto a importancia de Pessoas como Sergio Bianchi, que nos faz para pelo menos por um momento e repensar qual o nosso papel na contrução de um mundo melhor. Um dos temas centrais do filme é a miséria como mais um négocio a ser explorado. Bianchi mostra ainda que aqueles que sofrem as agruras de uma situação que não pode mudar como é o caso da personagem central que trabalha na ONG dirigida pelos atores Caco Ciocler e Herson Capri (me perdoem mas agora não recordo quais os nomes dos respectivos atores no filme) , que na medida que sofre pois não pode reverter essa situação deseja que o outro sofra também, pois vale a máxima de que se duas pessoas não tem possibilidade de ficarem bem é necessário que ambas passem pelo mesmo sofrimento, ou seja que nunca uma fique em melhor situação que a outra ainda mais reconhecendo que essa "outra" tem ferramentas para se não mudar o quadro que pelo menos não use da desgraça alheia para se favorecer e enriquecer por conta da indústria da míseria que se estabeleceu e ganha força a cada dia.
Algo que não deve ser deixado de lado no filme é a herança que estamos carregando desde os tempos da escravidão, e que persiste em nos acompanhar feito um encosto.
Em dados momentos depresivo e desesperador é um grande filme que nos abre os olhos para uma sociedade hipócrita cheia de falsos Messias.


| Foto: Arquivo Ed. Globo |
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| Cecílio do Rego Almeida, que se apropriou de uma área de 5 milhões de hectares na Amazônia |
Cecílio do Rego Almeida é dono de um "país" na Amazônia. Suas terras englobam uma área de 5 milhões de hectares, o equivalente aos territórios da Bélgica e da Holanda juntos. A Ceciliolândia, como popularmente esse "país" é conhecido, no entanto, não deveria existir. E é por isso que a Justiça Federal determinou que as terras voltem a pertencer a seu antigo dono: o Estado. Essa pendenga já dura mais de 15 anos e agora parece chegar a seu capítulo final. É verdade que o empresário pode recorrer, mas, até o processo ser julgado em última instância, ele continuará desapropriado.
"O caso é exemplar", diz Marco Antônio Delfino, o procurador da República responsável pelo processo. É mais que isso. O Ministério Público Federal já colocou em campo funcionários para devassar os cartórios da região Norte à procura de títulos falsos. "Boa parte dessas propriedades foi registrada de forma fraudulenta."
O cabo de guerra entre o Estado e Cecílio do Rego Almeida começou em 1989 por uma ação movida pelo Instituto de Terra do Pará (Iterpa). O processo tramitou na Justiça estadual até 1994, quando - misteriosamente - sumiu dos tribunais. O caso só voltou a julgamento em 2002, ganhando força dois anos mais tarde com a criação da Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio. Isso porque, na hora de indenizar os proprietários desapropriados, descobriu-se que Cecílio do Rego Almeida seria beneficiário. O problema é que as terras nunca poderiam pertencer a ele porque sempre foram do Estado. Aí começou o imbróglio.
A grilagem, nome técnico da apropriação indevida das terras públicas, é um dos problemas mais graves na Amazônia. Devido às disputas fundiárias, a região se tornou ao longo da história um campo sangrento, onde pistoleiros impõem a vontade dos "proprietários" promovendo a violência no campo e a exploração de trabalhadores. Além disso, eles não têm qualquer cuidado com a preservação ambiental. É esse cenário que explica a apatia de empresas sérias em investir no desenvolvimento da região. Mas, ao que tudo indica, esse cenário pode mudar. É o sinal que chega com a derrota de Cecílio do Rego Almeida.
FONTE: Revista Época